CULTURA 2026

Moonlight

Filme | Romance | Drama

30 de Março de 2026

“Moonlight” não é só um filme, é uma experiência. Calmo, íntimo e brutalmente humano, conta a história de Chiron ao longo de três fases da vida: infância, adolescência e idade adulta. É sobre crescer, descobrir quem somos e tentar sobreviver quando o mundo à nossa volta não facilita nada.

Não esperes um filme cheio de ação, aqui tudo é silêncio, emoções e momentos pequenos que dizem muito. E é exatamente isso que o torna tão forte.

O filme é lindo visualmente (a fotografia é absurda), e muito sensível na forma como mostra identidade, masculinidade, vulnerabilidade e solidão. Nada parece exagerado, tudo é real, cru e honesto.

A narrativa em três partes funciona mesmo bem, porque vemos como as experiências moldam a pessoa que Chiron se torna. E há cenas que ficam na cabeça (a do mar… quem viu sabe). A banda sonora aliada ao silêncio tem um impacto emocional gigante.

É um filme lento e contemplativo. Quem gosta de histórias rápidas pode achar parado. Também não explica tudo, muita coisa fica nas entrelinhas, o que para algumas pessoas é arte e para outras é confuso.

“Moonlight” é simples na história mas enorme no sentimento. Não grita, não exagera mas atinge fundo. É daqueles filmes que ficam contigo depois de acabar. Super sensível, intenso e mesmo bonito.

O Vigilante

Livro | Romance

23 de Março de 2026

Há livros que, à primeira vista, parecem intimidar. Pela espessura, pelo ritmo da escrita ou simplesmente pelo nome da autora, que já sabemos que não escreve histórias rápidas ou superficiais. O Vigilante, de Sarah Waters (título original The Night Watch), é um desses livros. Mas também é um daqueles que provam que, às vezes, quanto mais nos demoramos numa história, mais ela nos recompensa.

Situado em Londres durante e após a Segunda Guerra Mundial, o romance apresenta-nos várias personagens cujas vidas se cruzam de formas inesperadas. No início pode parecer que estamos apenas a observar fragmentos de vidas, pessoas que trabalham, que sobrevivem, que lidam com perdas, segredos e amores complicados. Mas, à medida que avançamos na leitura, percebemos que cada gesto, cada silêncio e cada memória tem peso.

Sarah Waters tem uma forma muito particular de escrever: não tem pressa. Constrói as suas histórias com calma, como quem monta um puzzle peça a peça. Por vezes isso torna a leitura mais densa, mas é precisamente aí que reside o encanto. As personagens não são heroínas perfeitas nem vilãs óbvias. São profundamente humanas, cheias de falhas, dúvidas e decisões difíceis. E é essa humanidade que nos prende.

Ao longo do livro encontramos pessoas capazes de egoísmo, de erros e de escolhas questionáveis, mas também de gestos inesperadamente generosos ou corajosos. Waters lembra-nos que, em tempos difíceis, as pessoas revelam lados que nem elas próprias sabiam que existiam.

Sem revelar demasiado, O Vigilante é um livro sobre vidas comuns num tempo extraordinário. Fala de amor, de identidade, de sobrevivência e das marcas que os acontecimentos deixam nas pessoas. É também uma história sobre como o passado molda o presente, e sobre como cada pessoa guarda segredos que podem mudar tudo quando finalmente vêm à luz.

Pode não ser um livro para ler à pressa. Mas é precisamente por isso que vale a pena. Porque, no meio das páginas mais longas e da escrita cuidadosa de Sarah Waters, descobrimos personagens que parecem reais, histórias que ficam connosco e um retrato de uma época que continua a ecoar no presente.

E talvez seja essa a melhor forma de olhar para livros como este: não como algo assustador pelo tamanho ou pela escrita mais elaborada, mas como uma porta para conhecer outras vidas, outros tempos e outras formas de ver o mundo. No fundo, ler é sempre isso, um convite à curiosidade. O livro já há muito que se encontra esgotado, contudo, podem sempre adquirir em segunda mão.

Notes of Autum

Filme | Romance

18 de Março de 2026

Há filmes que nos surpreendem pela complexidade. Outros, pela inovação. E depois há aqueles que, mesmo sendo um bocadinho cliché e com aquele sabor assumidamente “categoria B”, conseguem alegrar um pouco os nossos dias. Notes of Autumn é exatamente isso.

Sim, a premissa não reinventa a roda. Há encontros improváveis, silêncios cheios de significado, olhares demorados e decisões difíceis. Mas reduzir este filme a “mais uma história romântica de outono” seria injusto, e até um bocadinho preguiçoso.

Porque Notes of Autumn não fala só de amor entre pessoas. Fala das paixões que deixamos na gaveta. Da música que parámos de tocar. Do curso que não seguimos. Do sonho que adiámos “só por enquanto”, e que acabou esquecido entre contas para pagar, expectativas alheias e inseguranças que crescem mais depressa do que a coragem.

O filme mergulha nessa frustração silenciosa de quem já desistiu de si sem dar por isso. E é aí que ganha força. No meio de diálogos simples e momentos previsíveis, há uma mensagem que bate fundo: nunca é tarde para recuperar aquilo que nos faz sentir com vida.

A estética outonal, com folhas a cair, tons quentes, aquela melancolia bonita, ajuda a criar o ambiente perfeito para esta reflexão. É quase como se o cenário dissesse: deixar ir faz parte, mas também faz parte recomeçar.

Claro que há momentos exagerados. Claro que há cenas que parecem saídas de um telefilme de domingo à tarde. Mas e então? Às vezes precisamos mesmo disso. De histórias diretas, emotivas, sem cinismo. Histórias que nos lembram que o amor é importante, sim, mas que a paixão pelo que fazemos é igualmente essencial.

No fundo, Notes of Autumn é aquele filme que se vê numa tarde tranquila, talvez com uma manta e chá quente, mas que fica a ecoar depois dos créditos finais. Não porque seja perfeito, mas porque nos faz perguntar: “O que é que eu deixei para trás que ainda posso ir buscar?”

E só por isso, já vale a pena ver. Para quem goste deste tipo de filmes, ou tenha simplesmente curiosidade, pode apanhá-lo no canal Star Life.

Vigílias

Livro | Poesia

09 de Março de 2026

Em 2004 foi publicado Vigílias, uma reunião de textos e poemas de Al Berto, um dos nomes mais intensos da poesia portuguesa contemporânea. À primeira vista, pode parecer um livro distante do ritmo das gerações mais jovens: denso, introspectivo, por vezes melancólico. Num tempo dominado por scrolls rápidos, notificações e vídeos de poucos segundos, um livro que pede silêncio e demora parece quase um gesto de resistência.

Mas talvez seja precisamente por isso que Vigílias continua a ser necessário.

A escrita de Al Berto vive de noites interiores: da solidão, da procura de identidade, do desejo de pertencer e da inquietação perante o mundo. Quem lê encontra páginas onde o corpo, a cidade, a memória e o medo da perda aparecem entrelaçados numa linguagem íntima e quase confessional. Embora escritos noutra época, muitos destes sentimentos são surpreendentemente próximos da experiência de quem hoje cresce num mundo acelerado, fragmentado e muitas vezes solitário.

Para muitas pessoas, a poesia pode parecer distante ou “difícil”. Mas Al Berto nunca escreveu para criar distância: escreveu para expor fragilidade, desejo e inquietação. E essas são experiências profundamente contemporâneas. As suas palavras falam de noites longas, de amizades intensas, de amores incertos, de procurar um lugar no mundo, temas que continuam a atravessar qualquer geração.

Ler Vigílias não é apenas ler poesia; é entrar num espaço de pausa num mundo que raramente pára. É aceitar que algumas frases não se entendem à primeira leitura e que certas emoções só aparecem quando nos demoramos nelas. Num tempo em que tudo é imediato, esse gesto de lentidão torna-se quase revolucionário.

A importância da obra de Al Berto na literatura portuguesa está também nessa honestidade radical. A sua escrita abriu caminhos para uma poesia mais íntima, mais vulnerável e mais livre na forma como aborda o corpo, o desejo e a experiência individual. Ao fazê-lo, deixou um legado que continua a influenciar quem lê e quem escreve.

Talvez o maior convite de Vigílias seja simples: voltar a escutar o silêncio entre as palavras. Porque alguns livros não foram feitos para serem consumidos rapidamente, foram feitos para nos acompanhar, como uma conversa nocturna que continua muito depois de fecharmos o livro.

E é por isso que, mais de duas décadas depois da sua publicação, Vigílias continua desperto. À espera de quem o leia e se atreva a parar e a escutar.

Ghosting: The Spirit of Christmas

Filme | Romance – Drama

23 de Fevereiro de 2026

Se estás à procura de um filme leve, divertido e perfeito para uma noite descontraída (com manta e snacks obrigatórios), Ghosting: The Spirit of Christmas (2019) pode ser exatamente aquilo que precisas.

Realizado para televisão e assumidamente com aquele charme de “série B” natalícia, o filme não tenta ser mais do que é, e ainda bem. Aqui, o espírito é leve, colorido e romântico, mas com um toque sobrenatural que lhe dá graça extra. A história acompanha Jess (interpretada por Aisha Dee), uma jovem que acorda como fantasma e descobre que tem pouco tempo para resolver assuntos pendentes antes de “seguir em frente”. Pelo caminho, cruza-se com a sua amiga Kara (Kimiko Glenn) e quase desconhecido Ben (Kendrick Sampson), formando um trio improvável que sustenta o coração da narrativa.

O que torna este filme curioso não é apenas o romance, embora ele esteja lá, com direito a olhares intensos e momentos dignos de comédia romântica, mas a forma como explora o amor nas suas várias dimensões. Não é só sobre paixões repentinas ou sobre aquele cliché de “encontrar a tal pessoa” no Natal. É também sobre ligações que nos definem, sobre as pessoas que escolhemos manter na nossa vida e sobre aquilo que fazemos por elas.

Sim, há momentos previsíveis. Sim, há diálogos que parecem saídos de um cartão de boas-festas. Mas há também uma honestidade emocional que surpreende. O filme acaba por ser mais doce do que se espera, com uma mensagem que vai além do romance e toca na importância das relações que nos moldam, sejam elas amorosas, familiares ou de amizade.

Visualmente, cumpre o imaginário natalício: luzes quentes, ambientes acolhedores e aquela atmosfera mágica que só o Natal consegue justificar sem parecer exagerada. É confortável, é simples e sabe exatamente qual é o seu público.

No fundo, Ghosting: The Spirit of Christmas é daqueles filmes que não promete revolucionar o cinema, mas entrega uma história sincera, com coração e com personagens fáceis de gostar. Ideal para quem quer sentir aquele quentinho emocional típico da época que ainda vem longe, e lembrar-se de que o amor pode ter muitas formas, algumas mais inesperadas do que outras.

Tropecei no filme este fim de semana no AXN White, por isso é só andarem um pouco para trás, ou ir ao gravador ver se ele lá está. Não colocámos o link para o trailer, porque não encontrámos nenhum, o que aparece são pessoas a comentar o filme, mas depois tem muitos spoilers, e nós não queremos isso 🙂

Quem tem medo do Género?

Livro | Ciências Sociais

16 de Fevereiro de 2026

Quem tem medo do Género? de Judith Butler, lançado pela Orfeu Negro em 2024 não é apenas um livro, é quase um convite urgente a pensar. E a pensar a sério. Num mundo onde as discussões sobre género se tornaram campo de batalha política, Butler entra sem medo, com clareza e uma lucidez impressionante, para desmontar confusões, medos e discursos fabricados.

O que torna este livro tão poderoso não é só o tema, mas a forma como ele nos obriga a sair do piloto automático. Butler mostra como o “pânico do género” não nasce do nada, é construído, alimentado e usado como ferramenta política. Ao longo das páginas, percebemos que muitas das narrativas conservadoras que parecem espontâneas são, na verdade, estratégias para controlar corpos, limitar identidades e restringir liberdades. E esta perceção muda tudo, porque aquilo que compreendemos, conseguimos questionar, e aquilo que questionamos, já não nos domina.

Apesar da densidade intelectual, há algo de muito vivo neste livro. Não é uma leitura fria nem distante. É quase como ouvir alguém a desmontar, peça por peça, um mecanismo que sempre esteve à nossa frente mas que nunca tínhamos visto por dentro. Butler escreve com rigor, mas também com intenção, quer que percebamos, quer que pensemos, quer que resistamos.

Ler Quem tem medo do Género? hoje é particularmente importante. Num tempo em que discursos simplistas ganham força, e em que a liberdade individual volta a ser posta em causa em vários pontos do mundo, este livro oferece algo raro, compreensão profunda. E compreender é o primeiro passo para agir.

Não é apenas um livro para quem estuda género ou filosofia. É para quem quer perceber o presente. Para quem recusa respostas fáceis. Para quem acredita que pensar ainda é um acto de liberdade.

E talvez seja isso que torna este livro tão necessário, ele não nos diz apenas o que está a acontecer, ajuda-nos a perceber porquê. E depois de ver, já não dá para “desver”.

Feel Good

Série | Romance | Drama

09 de Fevereiro de 2026

“Feel Good” é daquelas séries que parecem leves… mas dão um soco emocional quando menos esperas. Criada e protagonizada por Mae Martin, mistura comédia, romance e drama de forma super honesta, quase desconfortável às vezes, mas é exatamente isso que a torna viciante.

A história segue Mae, comediante em recuperação de dependência, que se apaixona por George. O que podia ser só mais uma rom-com transforma-se numa série sobre relacionamentos reais, inseguranças, identidade e vícios emocionais. Nada aqui é perfeito e ainda bem.

A série brilha porque parece verdadeira. Os diálogos são naturais, às vezes awkward, e as personagens têm falhas mesmo humanas. A relação entre Mae e George não é idealizada é intensa, confusa e por vezes tóxica, como muitas relações reais. Há humor, mas também momentos pesados sobre dependência, trauma e autoestima.

Além disso, os episódios são curtinhos (~25 min), o que faz com que se veja super rápido (perigo: não conseguir largar e ter outras tarefas para fazer).

Nem toda a gente vai gostar do estilo meio “cringe” e emocionalmente exposto. A série é íntima e às vezes desconfortável, não é aquela comédia leve para desligar o cérebro. Se queres algo tipo sitcom feliz, isto pode parecer pesado.

“Feel Good” é pequena em duração mas grande em impacto. É sensível, realista e diferente do típico romance televisivo. Não é para todas as pessoas, mas quem entra na vibe… fica agarrada, porque é curta, intensa e demasiado real para ignorar.

Infelizmente só está disponível na Netflix, o que significa que não é gratuita, sorry.

28 Discursos sobre Direitos LGBT

Ciências Sociais e Humanas

02 de Fevereiro de 2026

Se achas que já sabes tudo sobre a luta pelos direitos LGBTI+ em Portugal… este livro vai fazer-te repensar muita coisa. 28 Discursos sobre Direitos LGBT em Portugal reúne momentos históricos que marcaram a forma como hoje entendemos igualdade, visibilidade e resistências no nosso país. Através de 28 textos que vão desde poemas e manifestos até discursos políticos e ativistas, entendemos como a população LGBTI+ passou de ser praticamente invisível à conquista de direitos que hoje (felizmente!) existem, como o casamento civil igualitário e a lei da autodeterminação de género, mas que foram batalhas duríssimas para conquistar, e que estão a ser postas em causa neste momento.

Este não é “só mais um livro académico”. É um documento vivo e pulsante que nos lembra que a linguagem muda, que os nossos conceitos evoluem e que, no fundo, foram as vozes de pessoas reais a empurrar a sociedade para a frente. É um livro que, mesmo com pouco mais de 100 páginas, consegue fazer-nos sentir o peso histórico e afetivo de cada palavra ali registada.
Portugal vive um momento crítico com eleições presidenciais à porta e candidatos com discursos conservadores e extremistas a ganhar visibilidade, é por isso, mais importante do que nunca relembrar quem somos e como chegámos até aqui. Este livro não é apenas história, é uma ferramenta para pensar o presente e construir um futuro onde direitos não sejam negociáveis.

O Centro de Documentação Gonçalo Diniz é uma das referências em Portugal quando se fala de produção e preservação de materiais sobre a história LGBTI+. Mantido por voluntariado e ligado à ILGA Portugal, o centro tem uma grande coleção de livros, documentos, vídeos e materiais que explicam não apenas a luta, mas também a vivência quotidiana da comunidade LGBTI+ no nosso país.
Podem adquirir o livro em formato e-book na WOOK/Bertrand e em formato físico em lojas como Amazon.

Este livro é daqueles que te deixa a pensar, que te faz querer partilhar excertos, que merece ser lido agora, e relido daqui a uns anos para veres o quanto ainda temos (infelizmente) para avançar. Se queres perceber melhor de onde vêm as conquistas e o que ainda está por fazer, 28 Discursos é leitura obrigatória.

Certain Women

Filme Drama

27 de Janeiro de 2026

Certas Mulheres (Certain Women, 2016) é um drama subtil e profundo baseado em três contos da autora Maile Meloy. O filme acompanha, de forma poética e muito humana, a vida de três mulheres cujas histórias, embora aparentemente desconectadas, se entrelaçam pelas emoções que partilham, luta, frustração, desejo, solidão e a busca por significado nas pequenas coisas da vida.

Estas personagens não são “super-heroínas” nem figuras aspiracionais de cinema comercial. São mulheres reais, com medos, falhas e desejos que nos falam diretamente e que nos fazem pensar: “Eu já senti isto.”

O que torna o filme especial é a forma como nos convida a ver para lá do óbvio. Não se trata de grandes reviravoltas ou de histórias de amor épicas, mas de momentos quietos que dizem muito sobre frustração pessoal, e como nos sentimos moldar por aquilo que esperamos e pelo que realmente recebemos da vida; sobre conexões humanas inesperadas e empatia silenciosa, em vez de grandes discursos emocionais.

O filme ensina-nos a ouvir olhares, silêncios e gestos aparentemente banais, mas carregados de significado. É um filme que pede atenção e paciência, porque a sua força está nos detalhes, nos gestos e nas paisagens vastas.

Para quem tiver curiosidade, pode aceder ao filme na ANX White, que eu tropecei nele recentemente por lá.

António Variações

Livro Biográfico

20 de Janeiro de 2026

Ler António Variações – Uma Biografia é como ouvir um dos primeiros discos do Variações com os nossos próprios olhos, é inesperado, vibrante e cheio de personalidade. Este livro saiu em 2020 pelas mãos da editora SUMA, chancela da Penguin Random House, e consegue transformar uma biografia musical numa experiência visual e narrativa que nos apanha à primeira página e não nos larga até à última.

É um livro especial, porque não é apenas um texto sobre a vida de António Variações, mas um diálogo entre a palavra e a imagem. A narrativa de Bruno Horta traz-nos um António que foi mais do que um ícone pop. Remete-nos para um homem estranho no seu tempo, solitário, inquieto e cheio de contradições, que viveu à margem das movimentações culturais de Lisboa nos anos 80 e se reinventou sempre que pôde.

As ilustrações de Helena Soares são fantásticas e pensadas como parte integrante da experiência de leitura, dando vida ao livro. Cada página parece respirar o espírito colorido e ousado do cantor, com cores vibrantes, padrões inesperados e imagens que parecem explodir com energia pop, tal como era o próprio Variações.

O livro tem um ritmo que lembra uma playlist musical, com “faixas” que nos levam da terra natal de Variações à sua chegada a Lisboa, às dificuldades, aos sonhos, às músicas e ao legado que deixou. Tudo isto acontece enquanto vamos descodificando a sua personalidade, e os factos da sua vida com um olhar fresco e moderno.

Quem pensa que biografias são aborrecidas esqueça isso. Esta é uma obra que seduz quem ama música, design, história cultural e quem simplesmente gosta de histórias humanas contadas com alma e criatividade. É inteligente sem ser pesada, estética sem ser vazia, e faz-nos sentir que, mesmo quando uma vida é breve, o impacto pode ser enorme.

Se queres uma biografia que não te faça adormecer, mas uma narrativa visual e textual que pulsa como um bom álbum, este livro é para ti. Um verdadeiro tributo literário e gráfico a um dos nomes mais únicos da música portuguesa.

Frida Kahlo

Filme Biográfico

05 de Janeiro de 2026

Se ainda não viste Frida, prepara-te, não é só mais um filme sobre uma pintora famosa, é uma lição de vida com atitude, paixão e coragem. Este filme biográfico conta a história de Frida Kahlo, uma mulher que não deixou ninguém definir quem ela era ou o que podia fazer, mesmo quando o mundo insistia em lhe fechar portas e humilhar corpo, mente e arte.

O que torna Frida tão especial? Primeiro, ela viveu sempre de acordo com a sua própria verdade. Frida não se calou perante normas sufocantes, nem à frente do marido, nem da sociedade, nem das expectativas que as pessoas tinham dela. Ela escolheu ser ela mesma, com tudo o que isso implicava, fosse amor, dor, luta, bem como o controlo da sua própria narrativa.

Frida enfrentou dores físicas terríveis depois de um acidente, e ainda assim transformou sofrimento em arte poderosa e cheia de significado. Transformou desvantagens em força, e isso é algo muito importante a reter, as nossas experiências difíceis podem, alimentar o nosso poder e identidade.

Ela questionou o patriarcado, a política e o papel da mulher. Frida representa a liberdade individual, a ideia de que a tua identidade não tem de se encaixar num molde fixo. E isso faz-nos querer levantar, questionar e lutar por aquilo em que acreditamos também. É um filme que não só te inspira a pensar grande, como te mostra que a força de vontade pode mesmo empurrar-te para além das expectativas.

O filme que conta com a presença fabulosa de Salma Hayek, no papel de Frida, está atualmente disponível no catálogo da Netflix (Portugal), caso tenhas subscrição.

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