Ler António Variações – Uma Biografia é como ouvir um dos primeiros discos do Variações com os nossos próprios olhos, é inesperado, vibrante e cheio de personalidade. Este livro saiu em 2020 pelas mãos da editora SUMA, chancela da Penguin Random House, e consegue transformar uma biografia musical numa experiência visual e narrativa que nos apanha à primeira página e não nos larga até à última.
É um livro especial, porque não é apenas um texto sobre a vida de António Variações, mas um diálogo entre a palavra e a imagem. A narrativa de Bruno Horta traz-nos um António que foi mais do que um ícone pop. Remete-nos para um homem estranho no seu tempo, solitário, inquieto e cheio de contradições, que viveu à margem das movimentações culturais de Lisboa nos anos 80 e se reinventou sempre que pôde.
As ilustrações de Helena Soares são fantásticas e pensadas como parte integrante da experiência de leitura, dando vida ao livro. Cada página parece respirar o espírito colorido e ousado do cantor, com cores vibrantes, padrões inesperados e imagens que parecem explodir com energia pop, tal como era o próprio Variações.
O livro tem um ritmo que lembra uma playlist musical, com “faixas” que nos levam da terra natal de Variações à sua chegada a Lisboa, às dificuldades, aos sonhos, às músicas e ao legado que deixou. Tudo isto acontece enquanto vamos descodificando a sua personalidade, e os factos da sua vida com um olhar fresco e moderno.
Quem pensa que biografias são aborrecidas esqueça isso. Esta é uma obra que seduz quem ama música, design, história cultural e quem simplesmente gosta de histórias humanas contadas com alma e criatividade. É inteligente sem ser pesada, estética sem ser vazia, e faz-nos sentir que, mesmo quando uma vida é breve, o impacto pode ser enorme.
Se queres uma biografia que não te faça adormecer, mas uma narrativa visual e textual que pulsa como um bom álbum, este livro é para ti. Um verdadeiro tributo literário e gráfico a um dos nomes mais únicos da música portuguesa.
Se ainda não viste Frida, prepara-te, não é só mais um filme sobre uma pintora famosa, é uma lição de vida com atitude, paixão e coragem. Este filme biográfico conta a história de Frida Kahlo, uma mulher que não deixou ninguém definir quem ela era ou o que podia fazer, mesmo quando o mundo insistia em lhe fechar portas e humilhar corpo, mente e arte.
O que torna Frida tão especial? Primeiro, ela viveu sempre de acordo com a sua própria verdade. Frida não se calou perante normas sufocantes, nem à frente do marido, nem da sociedade, nem das expectativas que as pessoas tinham dela. Ela escolheu ser ela mesma, com tudo o que isso implicava, fosse amor, dor, luta, bem como o controlo da sua própria narrativa.
Frida enfrentou dores físicas terríveis depois de um acidente, e ainda assim transformou sofrimento em arte poderosa e cheia de significado. Transformou desvantagens em força, e isso é algo muito importante a reter, as nossas experiências difíceis podem, alimentar o nosso poder e identidade.
Ela questionou o patriarcado, a política e o papel da mulher. Frida representa a liberdade individual, a ideia de que a tua identidade não tem de se encaixar num molde fixo. E isso faz-nos querer levantar, questionar e lutar por aquilo em que acreditamos também. É um filme que não só te inspira a pensar grande, como te mostra que a força de vontade pode mesmo empurrar-te para além das expectativas.
O filme que conta com a presença fabulosa de Salma Hayek, no papel de Frida, está atualmente disponível no catálogo da Netflix (Portugal), caso tenhas subscrição.


